Comentário texto do Adolfo Loos e Pierre Bourdieu.
Sobre o texto do Adolf Loos,
primeiramente me veio a ideia já consolidada de que o espaço de morar, de viver
a vida cotidiana e toda sua afetividade, não pode de maneira nenhuma ser refém
de conceitos estéticos individuais ou de matrizes de pensamento artístico.
Apesar destes discursos influenciarem as escolhas de muitos moradores e fazerem
parte de uma intersubjetividade, eles estão dentro de limites muito maiores que
os da vivencia privada, da casa, do lar.
Neste ponto, focamos a outra parte do texto que estabelece o “princípio
do revestimento”. A arquitetura, mesmo que busque o belo, deve existir antes de
tudo para solucionar problemas técnicos e materiais, e estes que, originalmente
resolveram os problemas, parecem mais adequados do que sua própria imitação. O
homem se sente mais em “casa” quando as coisas se revelam como são. A imitação,
a arquitetura do sucedâneo, parece estar mais inserida em uma lógica de mercado
industrial que criou padrões e produtos adequados as demandas também criadas.
Portanto, sem nenhuma oferta, não há nenhuma procura. Da mesma forma se não há
nenhuma procura, não há nenhuma oferta. Não podemos condenar, entretanto,
indiscriminadamente todos que fazem uso deste artificio. Às vezes, somos refém
do que está disponível e podemos comprar, sem contar que muitos produtos que
“imitam”, são frutos de avanços técnicos que agridem menos o meio ambiente, são
mais resistentes e higiênicos. Se houvesse uma “cultura do original” inserida
no mercado de materiais, talvez seríamos mais felizes neste ponto. A terceira parte, “regras para quem constrói
nas montanhas é até poética de se ler, e verdadeira. Não devemos nos esforçar
menos que podemos, nem mais para construir. Não devemos construir também de
maneira pitoresca se podemos mais a partir da técnica. Utilizamos conhecimentos
milenares e os aperfeiçoamos, pensamos a construção dentro de certa
fenomenologia, onde a forma de ser do lugar irá conduzir a melhor maneira de
promover o que é bom e evitar os inconvenientes. O segundo texto sobre a alta
costura e alta cultura também tem rebatimento na arquitetura. Também se
constitui como um campo, onde as mudanças e as permanências estão em jogo. Onde
os discursos sobre o adequado e o não adequado está mais embebido de símbolos e
códigos sociais do que da questão prática e objetiva de construir. O que é belo
na arquitetura? ou que arquitetura é arte? Ou arquitetura é arte? São questões
que trazem referencias inevitavelmente. Qualquer que seja a resposta vamos nos
debruçar nos arquitetos consagrados para questionar o valor artístico de uma
construção. Ao invés disso podemos observar uma maneira natural e até intuitiva
de se criar um abrigo e a considerarmos bela. Para os gregos técnica e arte eram
ideias indissociáveis. Nosso erro foi separa-las para criar um jogo abstrato,
confuso e simbólico para definir o que sejam as coisas. É muito boa a expressão
utilizada no texto do Adolfo Loos: “seja sincero. A natureza só pode suportar a
sinceridade”
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