Comentário sobre o filme: " O homem ao lado"

O filme conta uma estória comum, cotidiana. Um vizinho que resolve construir uma janela de frente para nada menos que a única obra de Le Corbusier em toda a América. A estória entra no domínio do conflito social e simbólico que perpassa pela vida dos personagens. A casa é toda permeada por rampas e vidros e no entanto, não parece ser convidativa às relações interpessoais. Isto aparece de maneira subliminar no filme, onde a filha do casal proprietário da casa, vive sempre isolada. De maneira também não evidente é produzido uma crítica social, onde os símbolos de uma classe l são escancarados no zelo pelo que parece representar à cultura de uma elite, letrada, intelectual e rica. Esta mesma classe social representada nas figuras de Leonardo e da família (donos da casa), discursa pela democracia e a leis, proclamam a igualdade de direitos mas vivem em privilégios e confortos variados, em um isolamento (uma bolha) social, desprezando o que consideram inferior e grosseiro. Isto pode ser notado no jogo de contrastes entre os personagens. Um deles é um famoso designer, o outro um homem “simplório” nos gestos e nas palavras.  O primeiro imbuído em um mundo de signos e outro mais preocupado com problemas reais e de soluções práticas para o seu cotidiano. O filme ultrapassa o problema arquitetônico e se imiscui em um outro mais amplo, social, político e filosófico

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